Gravidez
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Exagerou no almoço com a desculpa de que precisa comer por dois? Anda com preguiça de fazer exercícios? Está de mau humor e descontou tudo no marido? Calma, a gestação não é motivo para sair dos eixos!

Exagerou no almoço com a desculpa de que precisa comer por dois? Anda com preguiça de fazer exercícios? Está de mau humor e descontou tudo no marido? Calma, a gestação não é motivo para sair dos eixos!

Gula, ira, soberba, preguiça, vaidade, avareza e luxúria. Com certeza você já ouviu falar sobre os sete pecados capitais. Criados pela Igreja Católica no final do século 6, já viraram tema de livros, filmes e novelas. Você pode se perguntar: “Mas o que isso tem a ver com a gravidez?” Tudo! É possível enxergar cada um dos pecados em meio a todas as transformações que a mulher e sua família vivem durante os nove meses. Quer ver? Como cada pecado ocorre na vida de uma grávida e, de quebra, dá dicas para evitar cair nas tentações.

Preguiça

Tudo bem, sabemos que a gravidez dá sono e moleza, principalmente no primeiro trimestre. Mas isso não é desculpa para ficar parada! Além do mais, a prática de exercícios físicos, quando feita com a devida orientação, traz muitos benefícios, como a prevenção e redução de dores nas costas, mãos e pés e de estresse cardiovascular. Ainda desenvolve o fortalecimento da musculatura pélvica, reduz partos prematuros e cesáreas, dá maior flexibilidade e tolerância à dor e eleva a autoestima.

“É recomendável que a gestante esteja sempre em movimento. Mas é fundamental que a atividade física seja sempre orientada e acompanhada por profissionais acostumados ao atendimento de grávidas”, aconselha Grillo. Por isso, antes de sair correndo no parque ou de malhar na academia, converse com seu médico. Só ele pode atestar sua saúde gestacional e liberar a atividade física mais adequada de acordo com seu estilo de vida. Segundo Gizele Monteiro, idealizadora do Mais Vida Gestantes Programa de Exercícios na Gravidez e Pós-Parto e autora do livro Guia Prático de Exercícios para Gestantes (Phorte Editora), atividades de alongamento, relaxamento e fortalecimento dos músculos posturais e do assoalho pélvico devem fazer parte da rotina da grávida. “Nem só de hidroginástica vive a gestante! Essa atividade é ótima, mas não é a única que ela pode realizar.”

Ira

Você havia combinado de ir ao cinema com o marido, mas ele vai ter que trabalhar até tarde. Há alguns meses, você diria “tudo bem, amor”, e aproveitaria para sair com as amigas ou ler um livro.

Mas, agora, você solta os cachorros, diz que ele nunca pensa em você e, quando vê, já está chorando ao telefone. Se isso faz parte do seu cotidiano desde que engravidou, não se desespere.

É tudo culpa dos hormônios! A gravidez traz para a mulher uma condição hormonal única em sua vida. Por isso, sensibilidade, choro fácil e momentos de explosão são comuns. Além disso, ela está se preparando para assumir um novo papel, o que traz inúmeros questionamentos, medos, inseguranças e expectativas.

“Construir e assumir novas funções demandam grandes esforços psíquicos e geram alguns conflitos”, diz Renata Menezes, psicóloga da Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro.

Portanto, é normal perder o controle algumas vezes. Mas não dá para deixar que essas oscilações de humor prejudiquem a sua rotina e seus relacionamentos. Por isso, é tão importante focar em você e no seu filho. “A gestante deve relaxar por breves momentos do dia. Olhar para o ventre, acariciá-lo e dizer palavras carinhosas para o bebê proporciona paz de espírito e bem-estar. Isso trará bons frutos nos momentos que se seguem ao parto e aos primeiros meses de vida da criança”, orienta Maurício Grillo, ginecologista e obstetra da Universidade Federal do Paraná.

Gula

“Estou grávida, preciso comer por dois!” Esse é um dos grandes mitos que envolvem a gestação. O mais importante nesse período é a qualidade da alimentação e não a quantidade.

Mas o que é essa qualidade? Segundo Luciana Spina, endocrinologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é uma dieta diversificada, com a ingestão de verduras, frutas e legumes, e refeições em intervalos menores, de 2 a 3 horas, no máximo. “E não adianta comer cenoura todos os dias e achar que já resolve, é preciso variar. Também recomenda-se evitar gorduras e carboidratos em excesso.” Tudo isso é importante para a sua saúde e a do bebê, além de ajudar a controlar o ganho de peso. Se você é uma grávida atleta, pode pensar: “Faço exercícios regularmente, não preciso levar a alimentação tão à risca”. Mas não é bem assim...

Um estudo recente da Queen Mary University of London, na Inglaterra, mostrou que uma dieta saudável durante a gestação é mais eficiente para manter a forma do que fazer exercícios. Os pesquisadores analisaram 44 estudos, o maior deles feito com 7 mil gestantes.

Observaram os efeitos da dieta, dos exercícios e da combinação dos dois para saber quantos quilos a mulher engordava durante a gravidez e se o bebê sofria alguma complicação. Os três métodos ajudaram no controle de peso, mas a dieta foi o mais eficiente deles. “Quando você consome a quantidade de calorias que precisa, não tem alteração de peso. Já em uma atividade física sem o controle da alimentação, se você ingerir mais do que o necessário acabará engordando”, explica Fernanda Seixas, nutricionista da Universidade Gama Filho e especialista em alimentação da gestante.

Ainda segundo dados da pesquisa, a dieta saudável reduziu as chances de haver pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, pressão alta e parto prematuro, complicações causadas principalmente pela obesidade.

Ganhar peso em excesso ou comer pouco estão diretamente ligados à saúde da mãe e do bebê. Por isso, nada de radicalismos. Não dá para sair devorando tudo que vê pela frente com a desculpa de que está grávida nem ficar neurótica com o peso. “A ingestão escassa de alimentos é considerada fator de risco para complicações na gestação, como o baixo peso ao nascer. Comer demais também é um problema, pois causa a obesidade materna e tem efeito significativo no aumento das taxas cesarianas e nos resultados perinatais desfavoráveis”, explica Caroline Arns, nutricionista especialista em Saúde Materno-Infantil pela PUC-PR.

Vaidade

Toda mulher  ou a grande maioria delas  sonha em estar sempre linda. Durante a gravidez isso não seria diferente. Porém, não é saudável preocupar-se excessivamente com a aparência do corpo em um momento no qual ele está se adaptando para gerar uma vida. “Não dá para desenvolver um ser em seu ventre, com todas as nuances que isso exige, pensando no corpo perfeito que deseja ter depois do parto. Durante os nove meses, todos os olhares precisam estar voltados para um bem maior: a saúde da mãe e do bebê. Para isso, basta entrar em ação o bom senso e a aceitação para lidar com as novas formas”, diz a psicodramatista Sirlei Bueno.

Infelizmente, não é sempre assim. A preocupação com a boa forma durante a gravidez já criou até um novo termo médico, a pregorexia. Trata-se da anorexia nervosa no período gestacional, um distúrbio alimentar com causa psicoemocional: o medo de ganhar peso. Ainda não há consenso sobre isso, mas acredita-se que a mulher tenha uma baixíssima ingestão calórica, gerando alterações metabólicas que levam ao emagrecimento extremo e ao consumo de reservas no limite do tolerável pelo ser humano.

O tratamento envolve psiquiatras, obstetra, psicólogo e nutricionista.
Outra preocupação de algumas mulheres é se os seios vão “cair” depois da amamentação. Algumas até deixam de amamentar por causa disso! O ginecologista Maurício Grillo explica que, durante a lactação, o estímulo glandular leva ao aumento da estrutura das mamas, com sobrecarga dos ligamentos suspensores, mas que isso faz parte da gestação e que o “prejuízo estético” é infinitamente menor do que todos os benefícios já conhecidos do leite materno.

“A estrutura da mama perde um pouco seu vigor, levando a uma discreta flacidez e diminuição de volume, mas tudo muito de leve”. Para a psicóloga Renata Menezes, há muitos fatores por trás desses medos, como a pressão imposta pela cultura da perfeição e a preocupação com a manutenção do relacionamento com o parceiro após o nascimento do bebê. “Será que ele vai me achar feia?”, “Será que ainda vai sentir desejo por mim?” Perguntas como essas podem rondar a cabeça da gestante, por isso o diálogo entre o casal é fundamental para que a mulher sinta-se segura com a nova imagem.

“É importante que ela construa a consciência de que a gravidez é um processo que envolve mudanças que implicam em muitas transformações físicas. Então, deve procurar manter a rotina de cuidados pessoais a que se submetia antes de engravidar, talvez mudando alguns produtos, sempre com supervisão médica.”

Além da alimentação saudável e da prática de exercícios (sempre com orientação), você também deve dar atenção especial à pele. A inundação hormonal que a mulher recebe no início da gravidez modifica bastante a superfície corporal, aumentando a preocupação com oleosidade, acne, estria e manchas. Mas, quando adequadamente tratada desde o primeiro trimestre, dá, sim, para minimizar e até evitar esses sintomas indesejados. E o melhor é que não há grandes segredos, basta seguir alguns princípios básicos na sua rotina diária: ingerir bastante líquido, ter uma alimentação rica em proteínas e pobre em gordura animal, usar protetor solar e hidratar sempre a pele, principalmente seios (exceto auréolas), face lateral do ventre, nádegas e coxas.

Soberba

Sim, você está grávida e se sente a mulher mais poderosa de todas. Ainda mais porque virou o centro do mundo, tem preferência em todos os lugares e é elogiada e paparicada por onde passa. Mas cuidado: depois do nascimento há um grande risco de ninguém mais se lembrar de você, só do bebê! Claro que a gestação é um momento único e que merece ser comemorado e vivido intensamente.

Mas é sempre importante lembrar que, além de mãe, você também é esposa, cidadã, profissional... “Durante a gravidez, pode ocorrer a hipertrofia de papel, ou seja, a imagem da gestante tende a ficar grandiosa tanto para ela quanto para a sociedade.

Porém, isso não é saudável. Se a mulher conseguir direcionar sua atenção para outros setores da vida, provavelmente depois do parto ainda se sentirá plena, mesmo que não receba mais todos os olhares de antes”, afirma Renata Menezes.

Quando o bebê nasce, também é fundamental continuar trabalhando o lado psicológico, até mesmo para evitar a depressão pós-parto. Quando o filho, tão esperado durante os nove meses, chega ao mundo, uma nova relação se estabelece. E isso não é fácil de ser assimilado.

“Mãe e filho sofrem o impacto da separação. Nesse momento, a mulher também pode sentir falta de toda a atenção que recebia e que agora se divide entre ela e o bebê. E, com isso, desenvolver uma fragilidade emocional e até mesmo uma depressão. É preciso ficar atenta e, ao menor sinal de que as coisas não vão bem, pedir ajuda aos familiares ou profissionais. Afinal, esse é o momento em que mãe e bebê precisam se fortalecer como indivíduos”, explica Sirlei Bueno, psicóloga e psicodramatista da Associação Paranaense de Psicodrama.

Avareza

Decoração para o quarto, o carrinho mais moderno, aquelas roupinhas lindas de morrer, cadeirinha... A lista de desejos é enorme, não é? A vontade é sair comprando tudo, afinal, é seu filho e ele merece! Mas aí logo vem seu companheiro dizendo: “Mas precisa mesmo de tudo isso?”. Na maioria das vezes, o “pecado da avareza” não é cometido pela mulher, e sim pelo parceiro. É ele que quer economizar, fazer a lista do enxoval só com o básico e nunca gastar a mais do que o planejado. Paula Laffront é consultora para compras de enxoval em Miami, nos Estados Unidos. Ela conta que muitos pais a procuram justamente por ser mais econômico comprar lá e também pela possibilidade de controlar a esposa, já que a personal shopper faz a lista de acordo com o orçamento previsto pelo casal. Como muitas vezes a gestante não pode viajar, é o homem quem vai até os EUA para fazer o enxoval com a consultora, o que já rendeu boas histórias. “Uma mãe de gêmeos mandou o marido sozinho. Ela me passou dinheiro por fora sem o parceiro saber, pediu para eu dar notas fiscais separadas e esconder o resto na bolsa do bebê que ela veria no Brasil. Outra vez, o pai surtou e cancelou as compras, voltou só com metade das coisas. Também já teve o marido que veio só para agradar a esposa, mas não queria nem ver os artigos. Ele me deu o cartão de crédito e só me encontrou no final do dia. Fico sempre no meio do fogo cruzado.” É sempre bom lembrar que, depois que o bebê nascer, as contas vão aumentar. Por isso, talvez o homem não esteja tão errado assim quando pensa em economizar desde cedo. Vale ter bom senso, assim você não gasta com supérfluos, mas também pode “se dar ao luxo” de um mimo de vez em quando.

Luxúria

Não, sexo NÃO é pecado durante a gravidez! Existem exceções, como em casos de gestação de risco ou suspeita de parto prematuro, porém é o médico quem deve orientar. Normalmente, a mulher tem aumento de libido nessa fase. Segundo Grillo, tal fato se explica por dois motivos. “O primeiro é a presença da gravidez propriamente dita, pois o sexo sem receio de engravidar gera uma entrega completa de ambas as partes. O segundo é a inundação hormonal. Níveis elevados de estrogênio e testosterona levam a um período de excitação rápido e eficaz, com lubrificação vaginal fluida e orgasmos intensos.”

Mesmo com maior apetite sexual, algumas mulheres e seus parceiros têm medo de fazer sexo durante a gestação, alguns até com receio de machucar o bebê. Porém, isso não faz sentido, como explica a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, coordenadora do projeto Ambsex e presidente da Associação Brasileira de Sexualidade. “O bebê está protegido dentro do útero e o pênis não chega até lá durante a relação. Ele fica no canal vaginal. É perfeitamente saudável para o casal praticar sexo durante a gravidez, é apenas necessário procurar novas posições e se adequar quando a barriga começa a ficar grande, já que não são todas que serão confortáveis, principalmente no último trimestre.” Ou seja, se tem um pecado que você pode cometer, é esse!

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