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Veja algumas medidas de segurança que podem ser incorporadas ao dia a dia da sua família e como o assunto da violência deve ser tratado dentro de casa.

Toque de recolher, violência e a sensação constante de insegurança. Já faz tempo que os moradores de São Paulo e de outras grandes cidades do Brasil têm de conviver com situações assim. Mas, nos últimos dias, o problema se agravou na região metropolitana de São Paulo, com uma onda de mortes que, de fato, assusta. Quando temos crianças em casa, a tensão fica ainda maior. Afinal, como protegê-las dos riscos sem deixá-las assustadas? Como ter certeza de que estarão seguras nas atividades do dia a dia? Devo mudar minha rotina?

Para a advogada Ana Paula Cristofi, nem a chegada do seu segundo bebê, na última semana, foi motivo para baixar a guarda. “Tive que pedir para meus pais e sogra que moram no ABC Paulista não irem à maternidade já que a bebê nasceria à noite em São Paulo”, conta. “Foi muito ruim, pois eu queria que estivessem do meu lado, mas ao mesmo tempo estava preocupada com o que poderia acontecer”.

Dilemas como estes têm se tornado cada vez mais comuns: de um lado, o medo, do outro, a necessidade de seguir normalmente a vida. Afinal, viver em pânico não é o caminho. Sandra Calais, psicóloga e professora da UNESP de Bauru, destaca a importância de manter a calma em situações ou conversas com as crianças que envolvam o tema violência. “Os pais precisam ter em mente que eles são a fonte de segurança dos filhos. Quando eles perdem o controle de suas emoções, deixando transparecer medo e ansiedade, a criança se sente desamparada e pode ficar muito confusa e assustada”, afirma.

Sandra lembra que as crianças já precisam lidar com os temores típicos da infância, como o medo do escuro, do bicho papão e dos monstros debaixo da cama. Por isso, a violência não precisa fazer parte deste repertório tão cedo. “Criminalidade é assunto de gente grande e deve ser tratado com muito cuidado quando dirigido às crianças. Quando o filho perguntar por que precisa fazer isto ou deixar de fazer aquilo, evite entrar em detalhes, seja objetiva e explique que a atitude é para o bem dela”, diz. Evite também comentários sobre incidentes criminosos e noticiários com conteúdo pesado na presença das crianças.
Contar histórias trágicas, como maneira de ensinar seu filho a enfrentar a violência do mundo, está totalmente fora de cogitação, segundo Sandra. O que a criança precisa é saber quais são as situações de risco e como preveni-las.

Talvez algumas mudanças na rotina sejam necessárias mesmo, mas os pais podem transformá-las em experiências positivas, sem fazer com a vida da família se torne uma prisão. “Se visitar aquele parque se tornou perigoso, em vez de falar para seu filho que algo ruim aconteceu naquele lugar, diga que agora vocês conhecerão um lugar novo, farão coisas diferentes. As trocas na rotina da criança podem ganhar um aspecto lúdico, não precisa ser um trauma", diz Sandra.

E, claro, momentos de maior violência são tempos que exigem atenção redobrada por parte dos pais. “Antes de sair de casa, procuro consultar o caminho na internet para deixar tudo esquematizado. Evito sair de noite sozinha com minha bebê de 3 meses, a não ser que meu marido esteja junto. Não dá para ficar neurótica, deixar de fazer coisas, mas é importante ficarmos mais alertas”, disse a representante comercial Tatiane Lopes.

Dicas de segurança

Mais importante do que abordar o assunto da violência urbana com os filhos é adotar medidas práticas para tornar a vida da família toda mais segura. Em entrevista à Crescer, Cleodato Moisés do Nascimento, porta-voz e capitão da Polícia Militar, deu algumas dicas para mães e pais e que devem ser seguidas sempre. Confira:

De olho nas informações

  • Os pais devem ensinar à criança a nunca passar informações dela ou de qualquer membro da família para estranhos, principalmente aquelas que se referem à rotina da família (que horas as pessoas deixam a casa ou retornam, quando vão viajar etc.). Estas informações podem ser usadas por criminosos para roubos e sequestros. Mas explique isso sem assustar seu filho. Diga que essas informações não são do interesse dos outros, por isso não devemos comentá-las.
  • Cuidado com as informações divulgadas nas mídias sociais. Se o seu filho tem Facebook ou Twitter, converse com ele (e certifique-se) para que jamais use essas tecnologias para divulgar informações da família.

Na escola

  • Você costuma deixar seu filho naquela esquina próxima à escola? Atenção! O indicado é deixá-lo no portão ou em local onde você tenha certeza de que ele entrou de fato no colégio.
  • Na saída da escola, o melhor é que a criança espere pelos pais dentro do estabelecimento, ou, então, bem próximo do portão ou funcionário da escola. A diretoria também deve avisar aos pais caso as crianças sejam liberadas mais cedo ou mais tarde do que o horário habitual para evitar desencontros.
  • Em caso de mudanças na rotina, como o pai levar excepcionalmente naquele dia o filho à escola, a mãe deve ligar para ver se deu tudo certo e combinar quem ficará responsável, por exemplo, por buscar a criança.

No carro

  • Sabe aquele momento em que você deixa o carro ligado rapidinho apenas para pegar ou deixar seu filho no portão da escola, inglês, natação? Atenção! Este pode ser um momento bem oportuno para seu carro ser roubado. Assim, por mais rápida que seja a parada, sempre estacione o veículo e tranque as portas ao sair e NUNCA deixe as crianças dentro do carro, nem que seja um segundo só para correr na farmácia.
  • Ande sempre com as portas do carro travadas e os vidros fechados.
  • Sair de frente e guardar o carro de marcha-ré na garagem são estratégias que possibilitam uma visão ampla do que está acontecendo na rua e, consequentemente, maior domínio da situação.
  • Se você estiver chegando em casa e perceber uma movimentação estranha, continue dirigindo, dê uma volta no quarteirão e, se estiver na dúvida de algo, chame a polícia.
  • Se o seu portão não for automático, o ideal é que outra pessoa feche ou abra-o para você. Descer do carro para fazer isso pode ser uma oportunidade para o criminoso.

Mais dicas

  • Evite que a criança ande sozinha pela rua. O ideal é que ela esteja sempre acompanhada de um adulto ou, então, de outros colegas. As pessoas da mesma vizinhança também podem se ajudar, fazendo um revezamento de caronas, de quem irá buscar ou levar as crianças à escola.
  • Caso a criança ande sozinha, dê instruções claras para que ela não pare, não aceite caronas e não aceite presentes de estranhos.
  • Se o seu filho tiver celular, ele pode usá-lo para avisar quando estiver saindo ou chegando em algum local. E vale instrui-lo para não bater-papo pelo celular enquanto estiver na rua, pois isso tira a atenção do que está ocorrendo à sua volta.
  • Instrua seu filho para que, caso perceba que tem alguém o seguindo, entre em um estabelecimento comercial e peça ajuda de um adulto.
  • Por fim, diante de qualquer situação criminosa, é fundamental: manter a calma, entregar o que for pedido, não encarar demais, não reagir, gritar ou tentar fugir. Lembre-se (e fale com o seu filho também) de que celular e carteira são coisas supérfluas e que a segurança vale muito mais do que qualquer bem material

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